NO listen, NO speak !
Eram aproximadamente 5h50, uma quarta feira de março, quando retornava do Rio de Janeiro e desci rodoviária Tietê em São Paulo. Observei uma jovem senhora que também acabava de chegar, carregava uma sacola preta enorme com dizeres em francês e uma bolsa a tira colo cinza. Postura elegante, porém um ar aflito, desorientado. Caminhava de um lado para outro no piso superior perto dos orelhões, aliás, vez em quando fazia algumas ligações, e outras vezes lia mensagens no celular.
Olhava para as pessoas como se estivesse procurando algo ou alguém , de repente abordou uma jovem de mais ou menos vinte anos. Falou , falou, e a mesma gesticulou que não ouvia , nem falava. Então a jovem senhora riu-se e timidamente chamou-a para um canto em uma mesa no subway e lhe escreveu algo , fazendo-se entender. A jovem sacou dez reais da bolsa e a senhora deu-lhe uma caixa de finos bombons importados.
Desfecho: Rolou uma transação rápida. Ambas seguiram aparentemente satisfeitas, uma para a bilheteria, rumo a seu destino. A outra , surda, muda, como se antecipadamente saboreasse os finos chocolates, caminhou suavemente, parecia ouvir as mais belas sinfonias de Beethoven. Iniciou-se assim um lindo e alegre dia, para ambas.


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