terça-feira, 21 de outubro de 2014

Professores Fascinantes





A menina de cabelos cheios e pretos, de perninhas bem torneadas, tinha um sonho; ser professora. Com sete anos de idade, vinda de uma família numerosa, não poupava esforços para ensinar e alfabetizar as irmãs  e parentes. A escola mesmo distante com caminhos tortuosos, foi seu ponto de partida através da cartilha “Caminho Suave”.

Hoje a realidade é bem diferente em vários contextos e o maior  investidor  de sonhos é o professor, que busca encontrar o melhor caminho para trilhar e brilhar, dentro de projetos que abranjam o coletivo: aluno, professor, escola,comunidade, governos.

Recentemente a revista Educação (ano18-n.210), trouxe conteúdos riquíssimos que aprimorados, repassados, aplicados em todo Brasil e até fora, poderão melhorar significativamente a área da educação, a qual é uma das prioritárias para se ter um mundo mais justo, digno e feliz.

Uma das reportagens, entre outras excelentes, está a Profissão: transformar “Em meio a um cotidiano atribulado e permeado de desafios, em todas as partes do Brasil muitos docentes transformam problemas e desafios do dia a dia em iniciativas que mudam  (para melhor) a vida dos alunos, das escolas e da comunidade”.  Diz Bernadete Gatti , pesquisadora fundação Carlos Chagas,que o diferencial desses profissionais é aliar uma insatisfação com a realidade ao impulso de encontrar soluções para os problemas. Com compromisso social, parcerias estratégicas, valorização do aluno e direto de aprender.

Outra  matéria (Profecias e revoluções), fala de três revoluções:  “A primeira é a revolução digital, que esta mudando a nossa maneira de sentir, o nosso modo de viver e a nossa maneira de aprender. Na segunda revolução passaremos da solidão da sala de aula para a construção coletiva de um projeto educativo. A terceira consiste em pensar a educação para além da escola, de compreender  todas as dimensões educativas que existem na cidade, na sociedade”.

 “Os projetos humanos contemporâneos carecem de um novo sistema ético e de uma matriz axiológica clara, baseada no saber cuidar e conviver. Requerem que abandonemos estereótipos e preconceitos, exigem que transforme uma escola obsoleta numa escola que a todos e a cada qual dê oportunidades de ser e de aprender.”

Ainda ressalva a professora Fátima do ensino fundamental, da escola Henrique Dumont Vilares que faz-se necessário uma maior mobilização da sociedade em pró da educação, melhores condições de trabalho, cargas horárias mais justas assim como salários e principalmente que não haja a interrupção desde a pré-escola até a universidade e mais.

Contudo, há muitas perspectivas de melhoras e assim como a menina que tinha o sonho de ser professora e recentemente conseguiu concluir a graduação em pedagogia, quase na terceira idade, que nossos filhos, netos e talvez bisnetos resgatem esse desejo buscando a revalorização da profissão: PROFESSOR, EDUCADOR, TRANSFORMADOR, CONSTRUTOR DE VALORES HUMANOS QUE NADA PODE SUBSTITUIR.

“A escola é um campo de criatividade, onde acontecem coisas que nem imaginamos, e o professor é quem está à frente desse movimento”.  Silvia Gouveia, instituto cultural Lourenço Castanho

Cada aluno é,  mais do que um nome na lista de chamada, personagem com biografia inédita”. Perissé- WWW.perissé.com.br

Homenagem a todos os professores,
inclusive aos da Henrique Dumont Vilares e
e principalmente a Maria Salete .. 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Curumim


Quem disse que brincar é chato.
Nunca ouviu o som do pato.
Esqueceu o que é ser criança,
e pôs tudo na balança.
Nem escreve cartas surpresas,
perdeu a essência dessa beleza.




    Quem disse que brincar é chato
não é curumim,
não entende nada de criança, 
nada de esperança, a não ser a
da plim plim.
Quem disse que brincar é chato,
vai lamber sapato,
não atire o pau no gato 
e nem acelere o crescimento 
de quem não quer crescer, 
só ser.


Ser criança de verdade, 
Ser legal, até mesmo em "Senegal".
Tomar sorvete no inverno, 
cachorro quente sem salsicha, 
pão sem manteiga e leite sem Nescau.





Ser criança,  sem pesar  nem pesares, é respirar outros ares, novos lares,
mesmo tudo tão mudado, não esta tudo acabado, 
apenas outros contextos, haverá sempre o pretexto
 para achar que a vida é colorida,
 mesmo preta e cinza.      


Dedico:
Todas as crianças
especialmente Junior e Vitor
jaira

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Oração de Aninha (Cora Coralina)





Oração de Aninha (Cora Coralina)

Pela manhã, abre a janela da tua casa
E faze a prece da gratidão.
Levanta teu coração para o Alto.
É a hora solene da oração.
Procura reter contigo
O amanhecer de um novo dia
Antes que a rotina da vida
Disperse o teu recolhimento
Segue essa pequena jaculatória.

Senhor, sois a luz da minha vida.
Que eu sinta a vossa presença
Na água da minha sede,
E na paz da minha casa.
“Quem chama por Deus
Não cansa nunca”
E Ele se fará presente.
Muito pedimos e pouco agradecemos.
Sentimento raro de encontrar no coração
Humano. Gratidão.
Muitos se ufanam:
“Não devo nada a ninguém”.
Engano: devemos muito a todos.
Devemos, particularmente, a nosso vizinhos
A felicidade da boa vizinhança.
Em regra, aquele que acredita
Nada dever a ninguém.
Também , nada faz por ninguém.
É o egoísta, macula
Os bens da vida,  alegria de viver.

Já a linguagem dos humildes:
“Abaixo de Deus devo tudo o que tenho
A fulano”. É sempre este o homem
Solidário, feito para ajudar
E com ele esta a benevolência,
Capacidade de servir, e a paz social,
O Espírito de Deus está na sua casa
E sua tulha estará sempre derramando. 

mar gelado


  MAR GELADO

O mar gelado, em que navega
o nosso amor
ninguém no leme
conduzindo a sua rota
naufraga a esmo 
e não sei o que fazer
para o salvar e trazê-lo a vida  de volta
Há dias que não te vejo
Muitos também não me vês
Não sinto na boca os beijos
O que é que a vida nos fez?
Onde estão nosso desejos
Faze-os voltar outra vez
Estamos insatisfeitos
Eu, você e o amor, os três
Me ajuda a nos encontrar
Reconstruir nossas vidas
Unindo as nossas vontades
Com idéias definidas
Fazer voltar as carícias
Que já foram prometidas
Enquanto há tempo de vontade
Podem ser reconstruídas
Há noites que estou tão só
Sabendo que estas ali
Me deito e choro sozinha
Nem sei se espero por ti
É como estar doente
Ou então que já morri
Que bom se Deus me trouxesse
 esse amor que conheci.
Autora: Natividade 

Poesia Cora Coralina


ANINHA E SUAS PEDRAS
(Outubro,1981-Cora Coralina)



Não te deixes destruir ...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz da tua vida mesquinha 
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso.
aos que têm sede.

01/outubro/2014 




Sem bienal



De passagem por São Paulo (Sampa), preferiu ficar quietinha no cantinho da vovó, para poupar o Miguel (2aninhos) do desconforto do ônibus, do trânsito barulhento e infernal, sendo assim preferiu não ir à 31ª Bienal.

Quem sabe não escolheu a melhor parte!?  Priorizou o tempo dele,  acordar, espreguiçar-se, situar-se, longe de casa, mas pertinho da mamis. Quer saber,  não ia entender nada mesmo, poderia achar tudo meio escuro, confuso, espaçoso demais e até feio.

Assim ficaram bem no seu ritmo, almoçaram avós, bisavós, meio dia. Saborearam a “comidinha saudável” (site) e fizeram “La ciesta”, coisa rara. Longe do barulho, do vacilo de entrar na contramão da multidão que corre desvairada pelos corredores metrô, puro stress.

No dia seguinte, café da tarde outra avó, bisavó, Maria. Tudo de bom ótimas companhias, inicio brisa da nova estação, primavera. Uma espécie de despedida, calmaria. Logo retornariam cidade “Natal”, ambiguamente falando, sem se preocuparem em “como encontrar coisas que não existem”  tema das artes na Bienal.

para Layla/Miguel



Setembro

Não podia ser diferente, pra mim o mês e a estação mais linda do ano.
Plantei o perdão, tô colhendo, frutos, tô colhendo flores.

A lua é testemunha  da minha insônia.
A lua é testemunha da minha solidão.
A porta continua aberta só que você tão já não vai passar por ela.
A lua é testemunha que que contemplei o céu pela janela .
A lua é testemunha da minha inquietação com relação a ti.
A cama vazia a roupa que ficou largada no chão,
a bicicleta no quarto dos fundos em meio a bagunça,
esperando o teu retorno, sei lá quanto, vc acabou de partir.
Só sei de uma coisa, a certeza de que vc está bem , me deixa bem
também , alegra meu coração.

Saudades


Saudades!!!



Prefiro a desordem do quarto ecoando o barulho alegre das tuas risadas, do que o silêncio e o vazio do quarto arrumado. O ranger da porta se abrindo e o Bom dia acompanhado do; - Que lindo dia! Depois a inevitável pergunta: - Tem café?

Depois disso, mais um pouco, o asseio pessoal, saciado, preparado para as viagens nas ciclovias das vias de Sampa. E vais acompanhado da tua bike alaranjada, pedalando, modulando não só tua silueta como também  transformando teus pensamentos entregues ao ventos.

Ventos que te levaram pra longe num voo de horas e atravessou o Oceano Atlântico. Não faz um mês e já estou com muitas saudades.  Só quando estamos longe e que temos a sensação de que deveríamos ter feito diferente o que não deu certo, ou o que não saiu como queríamos. Porém o perfeito às vezes é imperfeito, repensemos.

Saudade suave, carregada de um contentamento por saber que estão fazendo o que gostam, necessita e quer, tanto você como a dupla dinâmica, enfim coisas de mãe. Sinto vocês protegidos e felizes aos olhos de Deus, já que os meus são limitados.





O casaco






Naquela terça ensolarada e fria, alguém percebeu o inverno da m'alma, cheio de tremor e temor. De pronto deu-me seu casaco marrom de listras marrom, bege, marrom, rosa, marrom, bege, marrom.

Ao vesti-lo senti além do abraço,o calor, o perfume quase imperceptível de compaixão. Transformou o marrom escuro da minha alma em bege, o bege em rosa, cor de flor, flor azul de menina do sul.

Porém esse casaco escapou de mim por uns dias , passeou no banco traseiro de um automóvel (táxi), vasculhei alguns lugares atrás dele, e quando menos esperava, pois deixei pistas , lá estava ele, na sacola         preta, na portaria do prédio e voltou abraçar a verdadeira  companheira.