quinta-feira, 20 de março de 2014

Outono

   Daqui a pouco é outono. O verão um dos mais quentes dos últimos anos se foi, mas os termômetros teimam em não baixar. As águas de março não fecharam o verão, pelo menos na região da cantareira, não.
     Para quem madrugou a brisa suave e gelada fez menção a nova estação, mas o sol forte logo as 7h não quer despedidas. E por falar em despedidas elas vem , através de pessoas, boeings, falta de água na torneira e a mais difícil, a despedida de um ente querido, como a da filha que insiste em não se despedir e reluta em tirar a mãe do camburão, e como um pano de chão é morta e arrastada sem nenhuma compaixão.
     INDIGNAÇÃO...
     Só isto não basta, e o que caberia nesta ocasião?
     Enfim, retomo as atividades domésticas. Preferiria ouvir as quatro estações de Vivaldi, especificamente a de outono, mas o barulho da máquina de lavar, impediria. Torradas que efetivamente queimaram, o toque do telefone, tantas coisas ao mesmo tempo, mulher polvo.
     Ao atender do outro lado da linha, aos 88, mamis suavemente dizia: desejo que você fique bem, tenha bom animo e curta a nova estação, afinal as folhas secas cairão, um leve ar de sertão, porém depois tudo volta a reverdecer. Em outras palavras foi isso que disse.
Foto Lili Mendes


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