Carnaval Cinzento
Pela segunda vez, consecutiva , olho para o relógio e 00:00. Final de semana, inicio de uma outra, inicio de uma segunda-vez, segunda-feira. É um minuto de sobressalto, ou de sabedoria, sei lá. Despertei com uma sensação ruim , algo assim... Dor no peito, um aperto, ar retido, solidão, escuridão. Levantei e tateando as paredes fui ao teu encontro, te busquei no seu quarto, sua cama, pela casa e nada.
Por onde andarás nessa segunda de carnaval. Ouço latido de cachorros, cachorros ferozes, homens de tocaia, ciladas, será mesmo que toda nudez será castigada? Jurei não ficar pre-ocupada, mas como todo pai, toda mãe, não dormi sossegada. Pesadelo.
Enfim, em meio a esta inquietação , tentei chamar-te pelo celular, fora de área. Só me resta aquietar-me e saber que você já não tão meu, cresceu. A gente custa a entender isso, porém felizmente não sou onipresente, bem que gostaria, e não sendo recorro a quem O é. Peço que zele por ti, onde quer que estejas, mesmo que seja em Berlim.
Carnaval passou, fevereiro foi junto e as cinzas não vieram só nas quartas, também nas nuvens do céu desde o primeiro dia. Fantasias desfeitas , máscaras arrancadas, quem ganhou ganhou quem perdeu desfilou, destilou e agora reinventar algo mais para o próximo mês.

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