terça-feira, 22 de janeiro de 2019



21/01/2019

Lá se vai mais um dos quatro rebentos, em viagem com o time de futebol  Molecaje, pelo segundo ano consecutivo, no dia seu aniversário, hoje completa 15 anos. Vai em busca de seus anseios, planejando e projetando o sonho de ser jogador profissional. 

Da minha varanda posso ver o ônibus que os levará ao destino, Biritiba Mirim. Há mais de duas horas não desviei o olhar para vê-los partir. Ele saiu com tanta pressa, pra esperar tanto. Assim como ele, imagino os outros meninos sonhadores e ansiosos voando em seus pensamentos. Pensamentos de fazer boas jogadas, dar boas assistências, fazer gols, vencer o time adversário, troféus, vitorias, enfim...

Acredito que pensam em seus ídolos, num futuro promissor, em ajudar a família,  sei lá ... Também o pensamento em seus vídeos games,  que tirarão folga. Talvez só não pensem nas voltas às aulas, aí é outra história. Muitos iniciarão Ensino Médio, novas escolas "Boanova", longe de casa, novos professores, novos amigos, "amigas" ... muitas novidades.

Não fui me despedir porque ele não quis, evitei constrangimento. Como não ir?  Teimo em ir no pensamento, na mala, no celular, no coração.
Ser mãe é renunciar, entregar, confiar e saber a hora certa de beijar, de abraçar e de deixar de abraçar. Felizmente é só uma viagem de 7 dias. Como já me despedi outras vezes , de outros, filha e filho, viagens mais longas, outro país inclusive, estou me acostumando. 

Porém  a sensação de que eles estão indo e que a linha do pipa, do papagaio parece que vai arrebentar aflige. Assim onde quer que pousem, quando a linha arrebenta, sei que os olhos do meu Deus estarão fitos neles. Então meu coração se aquieta e apenas administro a saudade , sabendo que se tiverem que chorar, chorarão, se tiverem que sorrir, sorrirão.  Não saberei , apenas sentirei um aperto no coração quando estiverem em perigo, mesmo assim sei que o socorro será presente e eficaz.

Basta!!! Preciso voltar à rotina e pensar que estão fazendo o que escolheram, o que gostam , então pra que sofrer. Um dia fiz minhas escolhas, errei, acertei e sobrevivi . Não posso mais recorrer ao colo ou ombro de meus pais, mesmo porque um deles já se foi e eu é que precisa dar colo.

Enfim, é mais um ciclo da vida. Uns vão, uns vem. Lembrei até da musica de Caetano Veloso,  UNS. E, nesse tom musical me tranquilizo, amenizo a saudade e deixo que as pre-ocupações cedam lugar as boas vibrações para que tudo aconteça e flua da melhor maneira possível até o breve retorno ou mesmo mais longo.

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