Essa é uma das muitas árvores que enfeitam uma das maiores avenidas do Jaguaré. Sua sombra nos dias ensolarados aliviam os transeuntes, eu mesma já parei para me aliviar.
Foi ai que observei seu tamanho , suas folhas, seus galhos, troncos, raízes. Olhei para a raiz sufocada de tanto cimento. Tem a companhia da avenida e do asfalto, assim como o barulho das sirenes das fabricas, das buzinas dos carros, ônibus e outros.
Mas silenciosamente subsiste suportando a dor do cimento sufocante. As raízes não param de crescer e com sua força levanta e racha a calçada e o asfalto, sobrevivendo quase que sobrenaturalmente.
Apesar dos anos fincada ali resiste. Quase sempre desapercebida. Agora não bastasse os barulhos e a poluição já existentes terá que aguentar o som estridente das britadeiras porque resolveram construir um condomínio do seu lado , felizmente terá função decorativa por isso preservada.
Não bastasse os cimentos, arames agora o cercado com uma plaquinha com os dizeres: MEIO AMBIENTE , A preservação da Natureza é responsabilidade de todos. Que ironia! Não, conveniência mesmo.
Por um momento comparei-me com essa árvore. Após uma certa idade ou melhor após os sessenta anos mesmo com vigor e saúde, somos conservados e enxergados porque ainda fornecemos sombra. Servimos mais do que somos servidos, o que deveria ser o contrário, mas será que isso é questão de escolhas? Nem sempre.
Estamos ativos e nos alegramos quando os outros se alegram, principalmente sendo esses filhos, filhas ou parentes mais próximos. Nessa fase somos mais convenientes quando silenciamos, falamos menos e servirmos mais, ouvimos mais, mesmo ao som estridente de algumas conversas que não nos interessa. Assim como a árvore, silenciamos e damos sombra
Contudo, agora temos os terapeutas anônimos que falam menos e nos ouvem mais , as vezes opinando, acrescentando, outras falando também e concordando com quase tudo , isso se forem mais jovens, os motoristas de Ubers, rsrsrsrs... árvores também.


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